Em 2012 a Cia. Circo de Trapo completa 10 anos de atividades!!!



A Cia. Circo de Trapo é um grupo teatral que existe desde 2002 e é composto por atores, palhaços, mediadores de leitura e contadores de histórias que desenvolvem prioritariamente trabalhos voltados para a infância e a juventude.

As pesquisas do grupo de artistas partem de quatro pilares: O teatro, a narração de histórias, a mediação de leitura e o palhaço.

O grupo de artistas mantém como sede o Espaço Circo de Trapo, localizado no Jardim Santa Maria - Zona Leste de São Paulo.

Atualmente o grupo desenvolve o projeto "LITERATURA NA CESTA BÁSICA" no seu bairro sede. Além disso, realiza apresentações, intervenções e oficinas em diversos locais como: unidades do SESC, teatros, praças, bibliotecas, clubes e empresas, participando também de projetos organizados pela Prefeitura de São Paulo como Recreio nas Férias e Virada Cultural.

Os projetos do grupo já foram premiados três vezes pela Secretaria de Estado da Cultura (edital Proac) e por duas vezes pelo projeto VAI da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo.

Em 2011/2012, em parceria com o palhaço e diretor Claudio Thebas, o grupo trabalha na pesquisa O AVESSO DA GENTE que resultará em uma nova produção teatral inspirada no universo da autora Eva Furnari.

A Cia. Circo de Trapo é um núcleo artístico profissional integrante da Cooperativa Paulista de Teatro, cooperativa de natureza cultural e sem fins lucrativos com 30 anos de atuação.


Breve histórico


Em 2002, um grupo de artistas-criadores se reuniu na cidade de São Paulo para fundar a Cia. Circo de Trapo, com a preocupação de investigar os diversos elementos que caracterizam o teatro popular, como a linguagem do circo, do palhaço e do teatro de rua. Com base nestes princípios, uma pesquisa inicial que durou um ano originou Um, dois e três, o primeiro espetáculo da trupe.

No ano seguinte, em 2003, a companhia dá início à ocupação artística na Biblioteca Paulo Setúbal, no bairro da Vila Formosa, na Zona Leste da cidade. A ação compreendeu a primeira fase do projeto "Circo de Trapo na Zona Leste", contemplado pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo, nos anos de 2004 e 2006. Em meio à ocupação, o grupo passa a desenvolver um processo de criação a partir da literatura infanto-juvenil e voltado para o exercício em torno da tradição oral aliado ao universo circense. Ao final desse período, em que os artistas trabalhavam de forma coletiva e em diálogo com os freqüentadores da biblioteca, surge o espetáculo Circo Poemas, inspirado no legado deixado pelos palhaços/poetas de circo. Levando adiante as inquietações e aprofundando suas pesquisas, a companhia apresenta O auto de Natal do riso, trabalho que parte de uma das histórias mais conhecidas do Ocidente, o nascimento de Jesus, contada sob a lógica do palhaço.

Em 2006, ainda na biblioteca, são concebidos dois espetáculos. O primeiro foi O complicado casamento de Malasartes, inspirado em Pedro Malasartes, importante personagem da cultura popular, e no livro "Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões", do escritor Ricardo Azevedo. O segundo trabalho, Toda sacola tem sua história, surge após um ciclo de oficinas ministradas na Biblioteca Paulo Setúbal e, dando continuidade à pesquisa em torno da tradição oral, trata da relação entre mestres e aprendizes.

Os processos de criação mais recentes da Circo de Trapo deram origem ao espetáculo Dupla de dois, com destaque para o jogo entre os clowns branco e augusto, e à contação Tricontando histórias, fruto do interesse do grupo pela narrativa - ambos são de 2008.

Vale ressaltar que todos os espetáculos do repertório do grupo podem ser apresentados tanto em espaços alternativos quanto em teatros convencionais.

Atualmente, o grupo desenvolve no seu bairro sede - o Jardim Santa Maria - o projeto Literatura na Cesta Básica, com mediação de leitura em feira livre, narrações de histórias, encontros com autores e ilustradores, entre outras atividades que visam fortalecer as pesquisas e o contato dos artistas com a região onde o grupo está inserido.


Inspirações e referências


O teatro popular é, desde a formação da Cia. Circo de Trapo, a grande motivação para os processos criativos que viriam a seguir. Essa inquietação permanece viva entre os artistas do grupo e se enriquece a cada pesquisa desenvolvida, fazendo com que concepções estéticas e temáticas se atualizem freqüentemente, numa busca constante sobre o que é fazer "teatro popular" interferindo no cotidiano das pessoas. Partindo desta premissa, a companhia passa a investigar o trabalho dos artistas de rua, capazes de atrair e manter a atenção de tantas pessoas em um universo tão fascinante quanto inóspito como é a rua, do circo, que historicamente é um dos mais populares espetáculos artísticos, dos palhaços que estabelecem um jogo ancorado em uma lógica extremamente particular e anárquica, despertando no outro o ridículo presente em todos nós, dos contadores de histórias, responsáveis por uma recuperação da tradição oral diluída pela indústria cultural.

Além da atenção com o riso, elemento fundamental para o grupo pensar seus processos de criação, existe uma preocupação voltada ao público infanto-juvenil e das famílias que acompanham as crianças nas apresentações. Isso porque a companhia pretende aliar diversão e reflexão em projetos destinados a pessoas de todas as idades, visando também à discussão das relações sociais.

Outra característica está na criação coletiva/colaborativa, com base no pressuposto de que os processos devem levar em conta a participação de todos do grupo e das pessoas que compõem as comunidades onde se localizam os espaços ocupados pela companhia. A intervenção promovida na Biblioteca Paulo Setúbal, que teve o intuito de fortalecer as experiências do grupo e estimular a prática teatral na região, fez com que a Circo de Trapo desenvolvesse uma forma própria de fazer teatro em que atores, diretores, preparadores e também a localidade criassem juntos. Tal caráter também foi fortemente influenciado pelas vivências dos artistas na Escola Livre de Teatro (ELT), de Santo André, reconhecida dentro e fora do Brasil pelos trabalhos que primam pela discussão e produção de um teatro voltado ao coletivo.

São muitas as referências da companhia, entre elas destacam-se os trabalhos do célebre ator inglês e conhecido clown, Charles Chaplin, do ator, palhaço, mímico e pesquisador italiano Dario Fo, dos grandes palhaços Picoly e Picolino (também poeta), da atriz, que atuou tanto no teatro quanto no circo, e também pesquisadora do universo circense Verônica Tamaoki, dos grupos de clowns Parlapatões, Patifes e Paspalhões e La Mínima, além do estudioso de cultura popular Luís da Câmara Cascudo, dos escritores infanto-juvenis Tatiana Belinky, Ruth Rocha, Ricardo Azevedo, José Paulo Paes, Eva Furnari e dos grupos de contadoras de histórias As Meninas do Conto e A Hora da História.

Para a Cia. Circo de Trapo continuam sendo inspiradoras as palavras de Dario Fo: "Um ator dotado da complexidade e variedade de técnicas de um clown possui uma grande vantagem. Não apenas nos papéis cômicos, mas também nos dramáticos."




Em janeiro de 2010 o grupo conquistou uma sede própria, O Espaço Circo de Trapo.

No galpão a Cia. Circo de Trapo realiza ensaios, pesquisas, treinamentos, além de algumas atividades do projeto Literatura na Cesta Básica (encontros com autores, festas culturais, oficinas de narração de histórias e de mediação de leitura).

A manutenção do espaço se mostra fundamental, sobretudo, por conta do vínculo do grupo com as pessoas, é uma possibilidade de acesso à cultura para a comunidade onde está localizado.

O Espaço Circo de Trapo é um espaço de criação autônomo que está intervindo em um bairro que não possui nenhum outro equipamento cultural, gerando curiosidade e o conhecimento das pessoas sobre atividades artísticas.

Está localizado na rua Júlio Macedo, 516, no Jardim Santa Maria (ZONA LESTE DA CIDADE DE SÃO PAULO).

 



 
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