|
A ação tem como intuito principal fomentar e democratizar o teatro em bairros da Zona Leste da capital paulista por meio de oficinas, debates, saraus, apresentações, encontros e, sobretudo, pelo diálogo com a comunidade. O desenvolvimento deste projeto foi dividido em duas fases.
Ocupação da Biblioteca Paulo Setúbal – Vila Formosa
No primeiro momento do projeto, período entre os anos de 2003 e 2006, a companhia promoveu uma intervenção artística no local, que abrigou uma série de iniciativas como pesquisas, processos de criação colaborativos, apresentações de espetáculos de repertório do grupo e de convidados, sem perder de vista uma relação de troca de experiências e interlocução com a localidade e os freqüentadores da biblioteca.
Comprovando a relevância sócio-cultural da ação para a região e para a cidade, foi contemplada duas vezes pelo Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Prefeitura de São Paulo, em 2004 e 2006. Todo o cronograma de atividades ocorridas na biblioteca teve como ponto de partida o teatro popular, o ofício do palhaço e a literatura infanto-juvenil. Entre elas, oficinas de clown, técnicas circenses, teatro de rua, canto e ritmo e produção cultural, coordenadas por profissionais-artistas como Marcelo Millan, Cristiano Gouveia e os próprios integrantes da companhia como Marco Ponce e Fabiana Alves. Acerca dos encontros com outros artistas, foram debatidos processos de criação com os palhaços Gelatina, Picolino e Picoly, a trupe dos Parlapatões, Patifes e Paspalhões e o Grupo Los Patos, além das contadoras de histórias Marta Nozé e dos grupos As Meninas do Conto e A Hora da História.
Em relação aos espetáculos apresentados no espaço, destacam-se Chá de cadeira, com Verônica Nóbili, A voz da praça, com Cia. Monocirco, O auto do casal lusitano Maria e Manuel, com Algazarra Teatral, Rua, Stret e Strabe, com Circo Zé Brasil, além dos trabalhos da Cia. Circo de Trapo: Um, dois e três, Circo Poemas, O complicado casamento de Malasartes e Toda sacola tem sua história, que foi apresentado para mais de 3 mil crianças, entre público escolar e espontâneo.
Ocupação da Sociedade Amigos do Jd. Arize e Vila Santa Rita
Nesta segunda fase do projeto, a Circo de Trapo está desde 2008 presente no local onde realiza ensaios, treinamentos, saraus e apresentações do grupo e de convidados. Entre as atividades ocorridas, vale ressaltar a mostra de espetáculos da companhia, uma oficina de criação teatral para jovens e educadores, além de o início da atual pesquisa do grupo sobre a violência psicológica praticada principalmente no âmbito escolar entre os estudantes, denominada por pesquisadores de “bullying”. A investigação parte do pressuposto de que tais experiências vividas por crianças e adolescentes possuem sérias repercussões sociais, em um ciclo de reprodução de discursos, valores e atitude.
Outra ação do projeto um misto de um trabalho de arte-educação e performance, a iniciativa ocorreu em agosto de 2008 e consistiu na instalação de uma banca de livros em feira livre no bairro Jd. Santa Maria, na Zona Leste da cidade de São Paulo. A ação foi motivada pelo interesse da Cia. Circo de Trapo em incentivar a leitura, promover um diálogo com a criança e a família da comunidade e intervir no universo público – marcas de diversos projetos do grupo.
Dessa forma, em meio a bancas de frutas, peixes e verduras, a companhia manteve uma com características bem diferentes, em que, por meio da disponibilização de livros, realizou um trabalho de arte-educação no sentido de uma mediação de leitura, principalmente com crianças, que passavam algumas horas no local em contato com obras literárias, enquanto seus pais faziam compras. Com isso, os artistas pretenderam criar condições para uma aproximação com a leitura e um despertar de interesse pela literatura por pessoas que, muitas vezes, não têm acesso aos livros.
Alguns títulos que fizeram parte do acervo disponibilizado – pertencente aos próprios integrantes da companhia: Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, Almanaque, de Ruth Rocha, A formiga Aurélia e O violino cigano, de Regina Machado, Vovó delícia, de Ziraldo, O pequeno fascista, de Fernando Bonassi, Se a criança governasse o mundo, de Marcelo Xavier, Abaixo das canelas, de Eva Furnare, Os colegas e A bolsa amarela, de Lygia Bojunga, e Onde está Wally, de Martin Handford.
A companhia está em busca de parcerias para dar continuidade e expandir o projeto a fim de que a ação ocorra com certa regularidade e que seja possível a realização de atividades como empréstimo de livros, apresentações e oficinas de contações de histórias, formação de mediadores de leitura, entre outras.
|