Website da Cia Circo de Trapo !
* Todos os espetáculos do grupo são criados para serem apresentados em teatros convencionais e também em espaços alternativos.

Sinopse

Encadeadas por brincadeiras populares, trava-línguas, advinhas e canções, histórias são contadas de acordo com a proposta da apresentação e do tema escolhido, que pode variar entre narrativas africanas, cômicas, sobre princesas e rainhas, etc. Numa preocupação com a recuperação da tradição oral, os contos, oriundos do universo da cultura popular, são apresentados de forma lúdica e a partir da busca de um diálogo com o público. A narração pode ser realizada por uma ou mais contadoras.

Ficha técnica

Cenários, figurinos e produção geral: Cia, Circo de Trapo
Contadoras: Fabiana Alves e Taynã Azevedo
Duração: 45 minutos
Idade recomendada: a partir de 3 anos

Reflexão, pesquisa e contexto
Um pouco sobre o processo de criação, as opções estéticas e o percurso de Tricontando histórias

“O que existe na natureza?”, pergunta uma das contadoras, enquanto a outra está tricotando em um banquinho. Cachorro, borboleta, árvore... e, assim, as crianças vão listando. De acordo com a cultura africana, Olorum criou os orixás, seres fantásticos que se relacionam com os elementos naturais, como Iemanjá, rainha do mar, os seres humanos e tudo mais que existe na natureza, como aqueles exemplos elencados pelo público. Essa história, O sopro sagrado de Olorum, é uma das tantas que compõem o repertório das contadoras que carregam na manga, ou melhor, nos novelos, inúmeras narrativas populares, sobre princesas e rainhas, para morrer de rir, sobre Pedro Malasartes – importante figura da tradição cômico-popular –, dependendo da proposta da apresentação. Todos os contos estão relacionados à idéia de tricotar – uma brincadeira em que as histórias estão na cesta de novelos mágicos que precisam ser tricotados para que as narrativas possam ser contadas. Com isso, o tricotar se relaciona em nosso imaginário ao ato de conversar, bater papo ou, ainda, de tecer fios de histórias. Outra alusão possível está na enunciação do feminino, presente em muitas histórias do repertório, como Rainha do mar, em que Iemanjá pede ajuda ao seu filho Xangô, e A mãe de São Pedro, em que, além desse elemento, há uma desmistificação da idéia de céu e inferno. Existe, aliás, a preocupação em abordar a religiosidade de forma pedagógica, tendo em vista uma educação da multiculturalidade. A cultura africana, por exemplo, com suas lendas e mitos, sendo recorrentemente alvo de descrédito e preconceito, é vista com respeito. Trabalha-se o pressuposto de que os elementos da tradição africana são também aspectos que fazem parte do grande universo da cultura brasileira.

Lançando mão de muito canto e percussão, a manipulação de objetos é outra característica do trabalho que é desenvolvida a partir de um processo de ressignificação de recursos como tecidos, conchas e cabaças. Um pano azul, ao ser manuseado, pode ser transformado em uma onda do mar, sempre evocando a imaginação das crianças. E entre uma história e outra, as contadoras conversam com o público, brincam com jogos populares, trava-línguas, advinhas e musicalidade.

A idéia inicial de Tricontando histórias surgiu a partir da leitura de livros da escritora ítalo-brasileira Eva Furnari. Em um deles, uma senhora contava histórias ao seu neto enquanto tricotava. Sendo a valorização da tradição oral a principal motivação do processo de criação, as contadoras optaram por simplesmente narrar e apenas atuar em breves passagens das histórias. Dessa forma, em termos de recepção, foram privilegiadas a escuta e a imaginação, sem a utilização de muitos adereços e cenários. Outras referências para a construção do repertório estão nas obras Pedagogia GriôA reinvenção da roda da vida, de Lílian Pacheco, Acordais – fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias, de Regina Machado, Contos tradicionais do Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, e Cultura da terra, de Ricardo Azevedo. Os ensaios aconteceram durante a ocupação da Sociedade Amigos do Jd. Arize e Vila Santa Rita, localizada na Zona Leste da capital paulista, em 2008. No entanto, a pesquisa com a literatura infantil já havia começado anos antes, quando a companhia conheceu o processo de criação de grupos como As Meninas do Conto e A Hora da História e do palhaço Cláudio Thebas, que é também escritor e contador de histórias.

As investigações do grupo têm se norteado pela idéia de que no contexto da contação de histórias, pensada aqui como forma ritualística, a palavra é um elemento sagrado que desempenha uma espécie de função litúrgica vinculada ao encantamento que produz. A motivação dos artistas em narrar está no pressuposto de que a palavra, aliada aos mitos, arquétipos e símbolos presentes nos contos, é veículo dos saberes perpetuados ao longo da tradição oral. Contar uma história, portanto, é também uma forma de estar conectado e fazer referência a uma prática secular caracterizada pelo trabalho de narradores de todos os tempos.

No momento, a Cia. Circo de Trapo pesquisa os inúmeros sentidos em torno da palavra, a importância da contação de histórias na educação, além da combinação da música, da manipulação de objetos e de outros expedientes com a narração, sem perder o foco no ato de contar, preocupando-se em investigar o modo de narrar dos velhos mestres da tradição oral.

Entre os vários locais de apresentação, estão unidades do SESC, como Itaquera, Pinheiros e São José dos Campos, as bibliotecas municipais Afonso Taunay, Gilberto Freire, Mário Schembert, nesta última integrando o Festival de Contadores de Histórias da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

.........................................................................................................................

   
 
Faça seu cadastro e receba novidades sobre a Cia.
 
 
Parceiros na realização
dos nossos projetos.
 

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

 
 
Copyright 2009 - Todos os direitos reservados |textos: Daniela Landin | design ALDD